É um processo estruturado para identificar, escalar e resolver problemas críticos que impedem o avanço do projeto.
Uma Incidência Problemática (IP) é um problema que impede o progresso do projeto e que não pode ser resolvido sem ajuda externa à equipe. Problemas resolvíveis internamente fazem parte do fluxo normal de trabalho.

Incidências Problemáticas exigem um processo formal, estabelecido desde o início do projeto — tentar criá-lo após o surgimento do problema é ineficaz e arriscado.

PROCESSO DE GESTÃO — 11 ETAPAS

1. Identificação do problema
Qualquer parte interessada (equipe, cliente, patrocinador) pode levantar a incidência — verbalmente ou por escrito. É obrigatória a formalização no Formulário de Submissão de Incidência Problemática.

2. Classificação: é realmente uma Incidência Problemática?
O gerente determina se o problema pode ser resolvido internamente ou se deve ser escalado formalmente como IP.

3A — NÃO É UMA IP
Gerente e equipe escolhem a melhor solução internamente, sem escalada formal.
3B — É UMA IP
Registrar formalmente no Registro de Incidências Problemáticas.

Criar um “Formulário de Submissão” não serve para criar ritos desnecessários, mas para dar voz e segurança. Quando qualquer parte interessada pode levantar uma IP, construímos um ambiente psicologicamente seguro onde o erro ou o obstáculo não são punidos, mas acolhidos e documentados

4. Definir os envolvidos na resolução
Identificar quem precisa participar: especialistas técnicos, jurídicos, departamento de compras, patrocinador etc.

5. Designar responsável pela investigação
Um membro da equipe (ou o próprio gerente) investiga as opções e estima o impacto em orçamento, cronograma e escopo.

Definir envolvidos e designar um investigador é um exercício de alteridade[i]. Significa entender quem detém o conhecimento (técnico, jurídico, compras) e mobilizar essas pessoas em torno de um propósito comum, avaliando os impactos reais no dia a dia do projeto.

6. Apresentar alternativas e obter consenso
Análise de impacto e alternativas documentadas no formulário, apresentadas ao patrocinador e partes interessadas para decisão.
6A — SEM MUDANÇA DE ESCOPO
Aprovação da resolução e execução do plano de ação definido.
6B — REQUER MUDANÇA DE ESCOPO
Fechar a IP e acionar o processo formal de controle de mudanças.

7. Atualizar o Formulário de Submissão
Documentar a resolução aprovada e o plano de ação no Formulário de Submissão de Incidência Problemática.

8. Atualizar o Registro de Incidências Problemáticas
Registrar o resumo da resolução no documento de controle centralizado.

Buscar o consenso com o patrocinador ao apresentar alternativas demonstra respeito pelo ecossistema do projeto. Seja mudando o escopo ou seguindo o plano original, a atualização dos registros garante que a verdade do projeto seja compartilhada por todos, sem agendas ocultas.

9. Inserir atividades no cronograma do projeto
Garantir que a resolução da IP esteja formalmente alocada e rastreável no cronograma, assegurando sua execução.

10. Atualizar o Termo de Abertura, se necessário
Se a resolução impactar orçamento, esforço ou duração, o documento de definição do projeto deve ser revisado.

11. Comunicar via Relatório de Andamento
Manter equipe e partes interessadas informadas sobre status e resolução da IP através do processo de gestão de comunicação.

Inserir atividades no cronograma e atualizar o Termo de Abertura não são apenas tarefas administrativas; são pactos de realidade. Termina-se o ciclo comunicando tudo de forma aberta no Relatório de Andamento, fechando o ciclo de ansiedade da equipe e gerando previsibilidade.

Quando você é parte do problema
Trate com honestidade os erros causados por você mesmo

O verdadeiro teste de maturidade de um líder acontece quando a incidência foi causada por ele mesmo. O processo técnico nos dá o caminho, mas o comportamento humano define a velocidade da cura.

A postura defensiva é um mecanismo natural de autoproteção, mas em gestão de projetos ela age como um freio de mão. O desarmamento desse mecanismo exige quatro passos de pura inteligência emocional:

  1. Assuma o problema
    Reconhecer publicamente o erro poupa a equipe do desgaste de procurar culpados. O peso de tentar esconder ou terceirizar a culpa é sempre mais doloroso e destrutivo para o próprio líder.
  2. Comunique-se abertamente
    Quando o líder se vulnerabiliza e confessa o erro, a equipe se desarma instantaneamente. O foco do grupo muda imediatamente: deixa de ser “quem errou” e passa a ser “como resolvemos”.
  3. Resolva com calma
    Uma vez livre do fantasma da culpa, a mente clareia. É hora de usar as ferramentas padrão de gestão com a cabeça fria e o apoio de todos.
  4. Aprenda e adapte seus processos
    O erro deixa de ser um tabu e vira patrimônio de aprendizado, gerando ajustes nos processos para blindar o futuro da organização.
Líderes e gerentes que assumem os próprios erros com transparência e vulnerabilidade não perdem autoridade; ganham conexão. Em um mundo corporativo muitas vezes moldado por aparências, as pessoas enxergam maturidade, coragem e integridade exatamente onde a velha liderança temia demonstrar fraqueza.

Gerenciar incidências com essa abordagem humanizada transforma a gestão de crises. O projeto ganha eficiência e a equipe ganha um laço inestimável de confiança mútua.

[i] Alteridade é o princípio filosófico e antropológico de reconhecer, respeitar e valorizar o outro na sua essência única e diferente, sem tentar moldá-lo à nossa própria imagem ou aos nossos julgamentos.


Renata V. Lopes

Com mais de 35 anos na vanguarda da TI, já gerenciei tecnologia em ambientes onde falhar não era opção — inclusive como Gerente de Prontidão Operacional dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016™. Essa experiência moldou minha visão: Governança de TI não é burocracia. É a diferença entre uma organização que sobrevive às crises e uma que as antecipa. Hoje, à frente da Tecnologia Humana, ajudo empresas de médio e grande porte a transformar TI em vantagem competitiva — com maturidade operacional, conformidade regulatória e segurança cibernética que protegem o que realmente importa: pessoas, dados e continuidade do negócio. Minha abordagem é centrada no tripé fundamental: → Pessoas — porque tecnologia só funciona quando as pessoas estão preparadas → Processos — porque eficiência e conformidade nascem de estrutura, não de improviso → Tecnologia — porque ferramentas sem governança são riscos em potencial Áreas de atuação: • Governança de TI (COBIT, ITIL, ISO 27001) • Cibersegurança e Proteção de Dados (LGPD, GDPR) • Gestão de Riscos (COSO ERM, ISO 31000) • Compliance Regulatório • GED e Gestão de Processos Se sua empresa precisa evoluir da conformidade reativa para a resiliência estratégica, vamos conversar.

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