A Mulher Maravilha

Maravilha

Depois de anos a Mulher-Maravilha[i] mudou sua forma de se vestir e talvez por não ter mais o mesmo visual, você pode não ter reconhecido. Mas ela está em todos os lados por onde ando, as vejo nos ônibus lotados, nas filas dos bancos, supermercados e lojas, estão lotando as empresas e ocupando muitas cadeiras nas universidades, correm pelas ruas buscando manter a forma, invadem as academias, enfim observe atentamente e você irá identificar algumas delas.

 

Talvez por ela levantar cedo, arrumar os filhos e levá-los ao colégio, pegar a condução lotada para o trabalho e enfrentar sua jornada diária, a malha vermelha e o shortinho azul de estrelas brancas não sejam a melhor forma de se apresentar. E por isso ela usa roupas normais agora, o jeans, camisas e sapatilhas lhe caem melhor já que rapidamente se movem de um lugar para outro.

 

A rotina da moderna mulher maravilha engloba uma casa para cuidar já que ela não pode se dar ao luxo de pagar uma empregada, pois os custos são altos e não caberia no orçamento da nossa heroína. Ela sofre com a falta de boas diaristas disponíveis para uma santa ajuda no lar e tem apenas uma saída que é arregaçar as mangas e limpar tudo quando sobra um tempo durante a semana.  Ou fazer uma boa faxina nos finais de semana.

 

A Mulher Maravilha trabalha fora e para manter sua empregabilidade, precisa reservar tempo na sua agenda para o curso universitário, inglês e informática. Senão chega outro(a) e pega o seu lugar, ganhando um salário menor que o seu. Injusto não, mas ela não tem privilégios e precisa dedicar-se a ler e como dizem os especialistas no mínimo quatro livros por ano. Isso sem contar que as notícias diárias ajudam seus diálogos durante os eventos profissionais.  Isso significa ler jornais diários, acessar a internet e ler revistas de sua área de atuação. Com a velocidade que as coisas acontecem, ela também se sente sempre desatualizada.

 

E tem a família que precisa muito da sua atenção, sim a mulher maravilha mesmo solteira tem sua família. Algumas casaram e possuem filhos, mas além dos filhos tem os pais, tios, avós e toda uma árvore genealógica que precisa ser regada de atenção e cuidado. E não adianta estar com eles conectada no mundo virtual, eles precisam de tempo de qualidade para se sentirem amados. São aniversários e demais comemorações que exigem sua nobre presença e se possível com uma lembrancinha para que sua visita não passe em branco (outra tarefa que exige sua atenção, tem que ser o presente certo) e ela não pode esquecer o aniversário de ninguém.

 

E tem o escolhido que roubou descaradamente o coração dessa super mulher e lógico precisa de atenção especial, senão ela corre o risco de perde-lo para outra mulher maravilha com capacidades heroicas mais desenvolvidas que as suas. Isso me lembra porque elas vivem por ai cuidando da sua saúde, visitas anuais ao médico, dentista, dermatologista. Mensalidade de academia, pacote de salões de beleza, pilhas de potes de creme para cada milímetro do corpo, perfumes maravilhosos espalhados pela penteadeira, muitos acessórios, sapatos, bolsas e roupas que valorizem suas curvas.

 

Essa mulher maravilha que tem uma agenda lotada, que acorda cedo, não tem hora para dormir, no fundo só quer uma coisa. Ser amada e admirada pelas pessoas que estão a sua volta. Ela torce por um companheiro que a incentive a seguir em frente e que na hora que ela cansa de tanta correria, ele possa simplesmente ficar ao seu lado, segurar sua mão e dizer “deixa que eu cuido de você agora”.

 

Bem a mulher maravilha é moderna, mas seu coração continua o mesmo: enorme. Cabem todos que ela conhece, os que ainda não cruzaram seu caminho, enfim cabe o mundo.  Mas muitas vezes ela esquece de colocar ela mesma na posição central e se permitir ser cuidada e amada. Então talvez por isso muitas andem por ai em terapias e consultas com psicólogos por se sentirem sobrecarregadas. Mas vale lembrar que a mulher maravilha pode dizer não e ainda assim continuar sendo a heroína diária que tem mudado o mundo ao seu redor.

 

A mulher maravilha que existe em você deve ser lembrada e valorizada a cada instante. Não se sinta maravilhosa, apenas com as unhas feitas, o cabelo escovado, a maquiagem perfeita.  Mas sinta-se maravilhosa por ser quem você é, e fazer tanta coisa ao mesmo tempo sem deixar de ser mulher.

 

[i] é uma super-heroína grega, personagem fictícia de histórias em quadrinhos publicadas pela editora estadunidense DC Comics. Criada pelo Dr. William Moulton Marston, é um dos maiores ícones pop de sexo feminino.

Renata Valéria Lopes

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O Alvo

alvo Ao olhar a figura ao lado a primeira coisa que penso são em sonhos, metas e objetivos pessoais. Confesso que um bom desafio me anima e saio logo da inércia. Após os momentos de reflexões iniciais, posso não evoluir em relação ao desafio. Mas se o aceito começo logo a quebrar em pequenas etapas.

 

Fiquei pensando durante a semana enquanto caminhava e percebi então que alguns clientes e amigos meus sempre me falam de seus sonhos e das dificuldades em realizá-los. Alguns vivem estabelecendo inclusive as mesmas metas ciclicamente, sejam dietas que se iniciam a cada segunda-feira ou as mensalidades pagas na academia ou no curso de inglês, onde nunca aparecem.

 

Em objetivos corriqueiros como esses ou com metas audaciosas como abrir seu próprio negócio, acabei identificando nas pessoas que acabam desistindo o mesmo comportamento. A falta de objetivos intermediários. Esses marcos intermediários de alcance dos sonhos servem de evidência ao progresso e de combustível para seguir em frente.

 

Quando os pensamentos limitantes chegarem, você que está lendo esse post e que não tem conseguido ir em frente, poderá perceber uma nova forma de impulsionar seu avanço. Pegue aquele grande sonho e quebre em pequenos sonhos.  Um exemplo bem simples pode ser a compra de um eletrônico. Você pesquisou e decidiu comprar um modelo X, cor e o valor de R$ 3.000,00.  Mas hoje você não tem nem o dinheiro da entrada. Então vamos lá montar o seu projeto de compra, quebrando esse sonho em pequenos.

Que tal começar com o valor da entrada, estabeleça o percentual que você deseja reunir e a data de quando você o quer em sua conta. Depois estabeleça um projeto de como serão pagas as parcelas, de que valor e os vencimentos.  A cada uma dessas etapas estabelecidas e cumpridas a sensação de vitória aumentará.  Quando menos esperar você terá conseguido realizar o seu sonho.

 

Absolutamente tudo na nossa vida pode ser encarado dessa forma, basta analisar a melhor forma de quebrar as ações.  No final de tudo eu tenho certeza que você fará isso sem perceber para tudo o que desejares e nada mais será motivo para você desistir.  Mesmo quando for preciso desacelerar.

 

Então lá vou eu para mais um desafio aceito e que agora eu quebrei em tarefas. E a primeira parte será ler quatro livros. Terminei um livro essa semana e já passei da metade do segundo livro, mas ainda faltam dois.  Mas as etapas estão avançando e eu me sinto cada dia mais próxima do alvo do que antes.

Renata Valéria Lopes

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Equilibrista

equilibrista

Não é de hoje que ouço por ai sobre o stress da vida moderna. Então uma nova habilidade que se torna fundamental de ser desenvolvida é a de equilibrista.  Afinal equilibrar nossos mil e um papéis diários é fundamental para viver melhor. Confesso que ainda estou aprendendo como me tornar uma “equilibrista” exemplar, mas o que aprendi até agora pode ajudar a você que me lê agora. Então lá vai:

 

Não dá para o trabalho roubar o tempo do lazer, da família e amigos. Tudo tem seu tempo e nada melhor do que separar uma agenda que contemple momentos de pura diversão. Afinal a mente precisa se distrair sim. Com o nível de exigência profissional cada vez maior, é comum o profissional lançar mão do seu tempo de lazer em prol do trabalho. Desconecte-se do trabalho e deixe sua mente descansar nem que seja um dia da semana.

 

Riqueza de informação, pobreza de atenção. Somos diariamente bombardeados de informações, se quisermos dar conta de todos os e-mails, noticiários, jornais e revistas teríamos de cancelar todos os demais compromissos. Então que tal estabelecer que informação é relevante para seus objetivos?! Outro dia fiz uma limpeza nas minhas assinaturas de newsletters diárias, não foi nada fácil selecionar. Mas valeu a pena ganhar quase 30 minutos diários a noite quando sento para ler os e-mails pessoais.

 

Que tal dar mais objetividade a sua agenda? Organize seus compromissos, deixando os problemas que ainda não existem de fora e filtrando as atividades que chegam. O conceito de urgência, importância e circunstancial ajudam muito nessa seleção.  Esse ponto me leva a necessidade de dizer não. As prioridades em alguns momentos requerem uma boa dose de negociação.

 

Na vida profissional ou pessoal compartilhe as tarefas, abraçar tudo não é produtivo. Pode ser que outro não faça tudo de forma tão “perfeita” quanto você. Mas quem disse que tudo deve ser perfeito? Economize com isso tempo para se exercitar. Mesmo que no início você só tenha 30 minutos. Sua saúde agradecerá e logo isso se tornará um hábito.

 

Pratique a gratidão e medite. Esse é o momento do reencontro diário consigo mesmo e com Deus. O momento de recarregar as energias e ter uma boa noite de sono reparador.

 

Renata Valéria Lopes

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O que te paralisa?

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Algumas pessoas passam a vida sonhando, mas não chegam a lugar nenhum.  Enquanto outras realizam muito e você pode até se perguntar como elas conseguem. Não há uma verdade absoluta sobre essa constatação acima, mas algumas reflexões que eu gostaria de compartilhar.

 

A primeira delas é sobre a forma como duas pessoas sob a mesma condição sócio-econômica-cultural podem encarar uma situação. O medo, a dúvida e as adversidades podem fazer uma pessoa se sentir desafiada e a outra paralisada. Não deixe que a dúvida se aloje na mente, o medo te invada os sentidos e as adversidades se multipliquem. Quebrar tal ciclo não é simples, mas pode ser exercitado. O importante é não permitir que a mente o freie. Se for preciso desacelere, mas não pare. Vá devagar, não tenha pressa.

 

A outra reflexão é a falta de alguém para escutar as ansiedades, os sonhos e as necessidades. São tantas pessoas ao redor olhando sem enxergar o ser humano diante de si. Na era das redes sociais, temos muitos amigos virtuais e uma solidão real como companhia. Como então se relacionar de maneira profunda, se tudo se torna tão efêmero como o like de um post?

 

Os sonhos, planos e projetos precisam ser enriquecidos com outras visões e perspectivas. Sem que a necessidade básica de ser ouvido seja atendida, o isolamento se instala. Alguns podem até dizer que precisam desse tempo para reflexão. Então minha dica é busque pequenas epifanias como combustível para alimentar seus sonhos e planos. Pense nos ganhos de ter seus planos concluídos!

 

O excesso se torna talvez outro ponto de reflexão. Em meio a um turbilhão de opções para tudo que nos rodeia, a busca pela simplicidade pode ser um alivio. Quando se tem um sonho, colocá-lo como sua única opção pode ajudar. O excesso rouba o foco, se torna o paradoxo da escolha e superlativa o sentido da realização.

 

Então que tal avaliar como você tem encarado os desafios até agora e rescreva seu futuro.

 

Renata Valéria Lopes

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Ser ou não ser?

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Quando estamos às vésperas de mais um Women´s Global Leaders (Mulheres Líderes Globais), recebo o convite para participar.  Infelizmente terei de faltar por compromissos profissionais e pessoais assumidos anteriormente.  A questão é que vale a pena participar, então se você foi convidada, tem disponibilidade e recursos financeiros para esse evento, participe. Esse é o momento de ouvir mulheres líderes dando dicas maravilhosas sobre carreira e ainda por cima fazer um bom networking.

 

Mas apesar da propaganda o que me chama mais atenção nesses eventos é que a maioria das executivas que participam são estrangeiras, faltam executivas de peso no Brasil que se aventurem a ministrar palestras.  Eu acredito que temos grandes mulheres que poderiam estar dando suas dicas, depoimentos e ensinando as mais novas como construírem carreiras de sucesso.

 

Quando cito as mulheres aqui é simplesmente pelo fato de que ainda hoje temos poucas mulheres em posições estratégicas dentro das empresas.  E olha que a maioria é bem mais bem preparada que muitos homens.  Porém ainda vejo muitas dessas mulheres “choramingando” por promoções, precisando trabalhar o dobro para mostrar que estão prontas. E sempre me pergunto o que falta?

 

O que mais me preocupa contudo são as que acreditam estarem prontas para serem lideres, e isso ocorre também no universo do gênero masculino. Todos querem ser líderes, mas não se preparam.  Um dos filmes que eu gosto muito é a Drumline que fala sobre ser liderado para depois liderar.  A questão é que se cada vez mais vemos profissionais cavarem promoções rapidamente, sem passarem pelo período de aprendizagem como liderado.  Infelizmente ou felizmente podemos aprender muito com os exemplos e tropeços daqueles que nos lideram. E deixamos de aproveitar esses momentos.

 

Sou de uma geração que pensava em um dia chegar no patamar dos meus líderes.  Ficava observando e investia tempo em conviver com eles e buscar dicas para minha carreira.  Sempre acreditei que ela aconteceria naturalmente se eu estivesse pronta.  E tenho visto isso acontecer até hoje, sem pressa.  Mas não deixo ninguém ditar minha carreira, a forma como a tracei é de minha inteira responsabilidade, então sou eu que tenho de lutar por ela.

 

Ser ou não ser chefe, não faz de ninguém um líder. Ser líder independe de posição hierárquica e títulos pomposos, está na capacidade de ser liderado e ser líder ao mesmo tempo. Afinal quanto mais alta sua posição no organograma, mais chefes terá e muitas explicações farão parte do seu dia a dia. Será que você está pronto para todas elas? A grande verdade é que a maioria das pessoas não tem noção disso.  Apenas imaginam que ao serem promovidas, ficarão livres para mandar e desmandar a sua maneira.  Mas se enganam e já vi algumas inclusive desistirem de suas posições por isso.

 

Meu conselho antes de entrar no dilema de ser ou não líder, seja uma liderada. Mas principalmente seja a melhor que puderes ser. Levante sempre com a intenção de ser hoje melhor do que você foi ontem e não se preocupe com comparação. Se você se preocupar e focar na sua trajetória, já vai ter muito trabalho pela frente. Lembre-se sempre apenas de que ser ou não ser um gestor, em nada te impede de ser um líder.

Renata Valéria Lopes

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Profissionais Certos?!

downloadPor crença pessoal eu não acredito na incompetência, mas acredito que existem pessoas certas nas posições erradas, profissionalmente falando. Algumas dicas podem ajudar um gestor a posicionar as pessoas nas funções certas.  Mas a grande verdade é que os profissionais devem ter essa preocupação desde o primeiro instante que vislumbram uma oportunidade nos classificados.

 

Antes mesmo de entrarem no processo seletivo, um profissional comprometido com sua carreira deve conhecer a empresa onde deseja ingressar. Tudo começa por buscar no site da empresa a visão, missão e valores que podemos entender como partes da identidade corporativa. Alguns coachees sempre me questionam que algumas empresas esquecem o texto no site e na prática o que está escrito lá não faz parte do DNA corporativo.  Eu penso, e ai está mais uma crença pessoal, talvez eles não tenham lido e internalizado também.

 

Se de um lado o profissional deve buscar conhecer a identidade da empresa, do outro lado estão os gestores que devem sempre que possível relembrar esses três elementos da identidade corporativa onde estão atuando.  E não cabe aqui apenas a ação de imprimir o texto, colocar num quadro na porta de entrada.  Mas de praticar sempre que for possível e reforçar em seus discursos.   Voltando ao profissional comprometido com a carreira, como você leitor, aqui vai mais uma dica importante. Leia atentamente a descrição do cargo e as funções desempenhadas.  Só vale lembrar que cargo e função não significam a mesma coisa.  Cargo é o posicionamento hierárquico na estrutura orgânica da instituição. E função é um agregado de deveres, tarefas e responsabilidades, que requerem os serviços de um ou mais indivíduos.

 

Pode acontecer das funções não corresponderem ao cargo, e isso acontece muito.  Uma boa descrição de vaga consegue de forma clara alinhar os itens cargo e funções. Particularmente já li descrições de cargos “infladas”, com requerimentos de certificações, graduações e títulos que não agregam em nada. Já que na prática as especializações não serão nem utilizadas. Isso acontece até por inocência das empresas em querer atrais bons profissionais.  O problema é que o profissional super qualificado, ficará desmotivado em pouco tempo por não perceber um desafio real em sua nova posição.

 

Então na hora da entrevista você profissional comprometido com sua carreira, lembre-se de perguntar e perguntar, e se lembrar de algo mais, pergunte.  Eu acho que pergunto tanto numa entrevista que o entrevistador acaba mudando de posição comigo (risos).  Mas pode ser um fator decisivo para você selar essa nova futura relação profissional.

 

Eu já presenciei o que apelidei de contratação emocional. Eu nem sei se tem alguma publicação sobre o assunto, mas a verdade é que muitas contratações são realizadas por empatia e amizade. Então os dois lados da mesa de negociação precisam ser racionais, sobre os desafios que possuem. Se você for contratar, peça a opinião de outra pessoa que possa ser neutra em seu posicionamento. Se você estiver para ser contratada, lembre-se que podes estar terminando ali uma amizade.  Amigos tendem a confundir os papeis dentro do ambiente profissional e ai as coisas complicam de vez.

 

Espero que esses pontos de reflexão ajudem na sua próxima recolocação.

Renata Valéria Lopes

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Participação nos Lucros e/ou Resultados: 20 anos decorridos da MP

A revista RH News, em edição especial deste mês, produziu uma importante matéria sobre Participação nos Lucros e Resultados, destacando a consolidação da prática ao longo dos anos, principalmente após a edição da MP, em 1994 e, com ainda mais ênfase, após a lei 10.101/2000. Compartilho a seguir alguns pontos da matéria, nas questões que me envolveram mais diretamente. A leitura completa da matéria, no entanto, dará ainda mais oportunidade de reflexão a cada um dos leitores.

 

RH NEWS: 1 – Quais são os erros mais comuns quando uma empresa usa estrategicamente a Participação nos Resultados ou a Participação nos Lucros e Resultados como forma de engajar os funcionários?

Marcelino: Falar em remuneração variável, e especificamente nos programas de PLR, é criar expectativas. Os principais erros é permitir que acreditem que remuneração variável é um benefício, pois benefícios não dependem de resultados e não podem ser eliminados quando uma empresa não alcança ou não supera suas metas. A participação nos lucros ou resultados, como um incentivo financeiro de curto prazo, é uma remuneração de risco: pode ou não ocorrer, uma vez que está dependente de uma combinação de indicadores, métricas e metas. Outro erro é criar indicadores que não podem ser acompanhados pelos empregados ou que não gozam de muita credibilidade. Isso faz com que alcançar ou não ou resultados – para os empregados – seja uma questão de sorte ou azar. Outro erro a ser destacado está relacionado ao reposicionamento da cultura organizacional. Programas de PLR não são aderentes a qualquer cultura.

 

RH NEWS: 2 – Você tem alguma preferência entre PPR e PLR? Por quê?

Marcelino: Todo lucro é uma medida de resultado, mas nem todo resultado é lucro. Cada organização precisa blindar os interesses dos acionistas, mas respeitar os interesses dos empregados. Nesse caso, focar resultados (PPR), focar apenas lucro (PL) ou a combinação dos dois (PLR) irá depender da estratégia de cada organização. Resultados operacionais são mais visíveis aos empregados em geral; resultados financeiros são mais facilmente entendimentos pelos níveis gerenciais e acima; poucos, de uma forma geral, compreendem indicadores econômicos, tal como o lucro.

 

RH NEWS: 3 – Como você avalia o papel da Lei 10.101/00 que regulamentou a PLR? Há a necessidade de alguma atualização da lei?

Marcelino: A lei sofreu e vem sofrendo mudanças, principalmente nos últimos anos, entre os quais a proibição de indicadores de segurança ocupacional, o pagamento proporcional aos que solicitam demissão, a isenção de IR para pagamentos até R$ 6.000 e, mais recentemente, a permissão para pagamentos em ciclos menores que 6 meses, desde que relacionados a programas de diferentes períodos. São mudanças importantes que ampliam, de forma ainda mais expressiva, a relevância dos programas de PLR.

 

RH NEWS: 4 – Que conselhos você daria para uma empresa que estuda implementar Participação nos Resultados ou a Participação nos Lucros e Resultados?

Marcelino: Programas de PLR, como disse, são incentivos financeiros de curto prazo e, por assim dizer, podem influenciar o comportamento das pessoas e mexer com alguns interesses. Assim, governança corporativa é uma expressão de ordem nesse ambiente. Cada responsabilidade no programa precisa ser claramente definida, evitando-se, entre outras questões, o conflitos de interesse. Vencida essa etapa essencial, os gestores devem pensar na PLR como um dos componentes da remuneração total, estrategicamente posicionado em direção a um alvo de remuneração (target). A combinação remuneração direta e indireta, fixa e variável, de curto e de longo prazo irão, por certo, ampliar as ferramentas de gerenciamento de pessoas. Definidos os alvos de remuneração os gestores podem discutir indicadores, métricas, ciclos, foco, abrangência do programa, processos de definição, acompanhamento e divulgação de metas e dos resultados. Uma boa relação com as entidades sindicais será importante para a homologação do programa e geração das vantagens fiscais envolvidas.

 

RH NEWS: 5 – Em um país com um custo de vida tão alto como o Brasil investir na remuneração é a melhor forma de engajar a manter os talentos? Por quê?

Marcelino: Acredito naquilo que Sandra O´Neal chamou de “total rewards”, abordagem segundo a qual é possível extrair mais dos empregados quando o foco se dá em quatro direções: remuneração direta (salário, premiações, gratificações, participação nos lucros, bonificação e afins), remuneração indireta (assistência médico-hospitalar, sguro de vida em grupo, auxílio alimentação e refeição, previdência privada etc.), aprendizado e desenvolvimento (gestão do desempenho, treinamento, mobilidade e carreiras) e ambiente de trabalho (gestão do clima, endomarketing, entre outras ações). Essa visão integrada é, por certo, mais agregadora de valor do que ações isoladas.

 

RH NEWS: 6 – O que leva uma empresa a ser reticente em implantar PPR ou PLR?

Marcelino: Implantar ou não implantar pode ser igualmente estratégico para determinadas organizações. Diversas são as razões, tanto legais, como operacionais. Cabe aos gestores compreenderem que muitas são as possibilidades no campo da gestão de pessoas, entre as quais as relacionadas aos programas de PLR. Se há vantagens potenciais, por um lado, há aspectos críticos que precisam ser analisados também. Trata-se de um programa que estabelece direitos e deveres de ambas as partes, certo nível de transparência e interesse mútuo em aperfeiçoar continuamente as operações e negócios da organização.

 

Marcelino Tadeu de Assis

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Mundo às avessas

Eu começo a acreditar que na mudança para o Rio de Janeiro, entrei meio que sem querer em um portal do tempo onde o mundo gira ao contrário. Escrevo esse post rindo muito das últimas experiências vividas.

 

Outro dia decidi comprar umas balas na volta do almoço, estava acompanhada de alguns colegas de trabalho quando comentamos da barraca de doces que ficava no caminho da empresa. Foi ai que ouvi pela primeira vez a história da dona da barraca não vender todas as balas do pote, mesmo com toda a insistência do cliente. É lógico que esse foi o ponto inicial da nossa abordagem, comprar o pote de balas inteiro.

 

Ao questionar a senhora sobre o valor do pote inteiro de balas, ela já me disse que não vendia o pote inteiro.  Então perguntei a razão da sua negativa, e me surpreendi com a resposta dela em me dizer que o próximo cliente ficaria sem as balas.  Tentei dizer que ele poderia comprar de outra e ela disse com toda firmeza, que só me venderia no máximo 25 balas. Bem comprei as 25, fazer o que.

 

Descobri depois que ela só vende no máximo 3 garrafas de água por cliente. Com minha mentalidade pequena pensei comigo mesmo, ela precisa de algumas dicas para gerenciar seu negócio. Ela podia ter vendido tudo para mim ao invés de arriscar não vender o restante do pote. Mas foi ai que meu espanto começou.

 

No dia seguinte decidi almoçar com um colega, num restaurante bem legal que tem próximo ao local de trabalho.  É um dos mais caros, mas a comida realmente é boa.  Após degustar mais um excelente prato daquele restaurante tão conhecido da Cidade Nova, pedimos uma sobremesa especial que eles possuem nas demais filiais. Foi então que ouvi do garçom que a sobremesa tinha sido cortada do cardápio.

 

Curiosa perguntei por que tinham cortado. Ele então me explica que no primeiro dia que a sobremesa entrou no menu, venderam acima do esperado e que o gerente decidiu cortar… Ah! Eu ouvi direito?! Gente será que estou louca ou o mundo é que virou de ponta cabeça? Alguém pode me ajudar a entender o que acontece com os novos negócios?

Renata Valéria Lopes

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A Remuneração Indireta no Contexto da Remuneração Total

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A expressão “remuneração indireta” aparece em diferentes textos e, não raramente, com diferentes significados. De uma forma geral, no entanto, representa a parcela do pacote de remuneração que, ao invés de adicionar dinheiro ao contracheque ou à conta bancária do empregado, amplia o poder de compra do colaborador por uma via indireta.

 

Um plano de saúde, por exemplo, uma vez oferecido aos empregados, evita ou reduz o montante que seria ou que poderia ser deslocado pelo empregado para a referida cobertura.  O mesmo pode ser pensado, também como exemplo, quando da concessão de planos de assistência odontológica, seguro de vida em grupo, previdência privada, auxílio alimentação e refeição, entre tantos outros mecanismos de natura indireta.

 

No contexto da gestão dos programas de remuneração[1] descrevemos tais benefícios com seus objetivos, público alvo, características gerais, sistemas de financiamento ou de custeio, inclusão de beneficiários, de dependentes e regras de inclusão, exclusão e afins, embora possamos também considerá-los financeiramente como parte de um “mix” mais amplo e complexo.

 

O pacote de um profissional, de uma classe ou grupamento salarial, dentro de uma determinada estrutura ou posicionamento hierárquico, pode ter como “target” (alvo) de remuneração um “mix” que considera – apenas hipoteticamente – 65% como salário base (parte fixa), 15% como ICL (incentivos de curto prazo), 10% como ILP (incentivos de longo prazo) e 10% como benefícios ‘quantificáveis’.

 

A quantificação dos benefícios fornece uma dimensão muito interessante na compreensão da estratégia de remuneração da Organização, principalmente nos aspectos que envolvem a natureza direta e indireta, fixa e variável, de curto ou de longo prazo.  Fornece, por exemplo, a parcela colocada em risco e condicionada a indicadores ou aspectos individuais e/ou coletivos.  Evidencia a parcela de custo fixo, bem como às que são dependentes de variáveis que se encontram dentro ou fora da Organização.

 

Q quantificação dos benefícios não toma como referência o custo do programa para a empresa, mas sim o valor percebido pelo empregado ou, o que é mais comum, por um determinado grupo familiar.  A quantidade de empregados pode, entre outros aspectos, influenciar em ganhos de escala, o que pode – por conseguinte – influir no valor “per capita” ou no custo total para a empresa.  O valor “percebido”, por outro lado, não considera o custo, despesa ou gasto associado. Leva em consideração, a partir de determinadas características, o valor estimado que um empregado teria que desembolsar para adquirir tal ou qual benefício no mercado.

 

Algumas metodologias incluem também o diferencial proveniente da concessão do benefício na forma de serviço e não em dinheiro.  Esse ganho fiscal também é considerado por algumas consultorias, o que amplia ainda mais o tamanho e a importância econômica de tais programas no contexto dos pacotes de remuneração.

 


[1] ASSIS, Marcelino Tadeu de.  Gestão de Programas de Remuneração: Conceitos, Aplicações e Reflexões – Visão Generalista da Remuneração. Rio de Janeiro: Qualitymark. 2011. 392p.

Empreendedor, O Conquistador!

Estava outro dia lendo um pouco sobre Calebe na Bíblia e com ele pude aprender algumas dicas bem interessantes para minha vida. Quero compartilhar com você, o que fez muito sentido para mim.

 

Calebe antes de mais nada era um sonhador, muito positivo em tudo o que viu ao espiar a terra de Canaã.  Mas ele foi muito criticado pelos seus compatriotas. Vi muita semelhança entre ele e alguns empreendedores que conheço. Se não fosse a visão positiva de muitos conquistadores como Calebe, provavelmente muitos empreendimentos não sairiam do papel. Gente para colocar empecilho no sonho empreendedor alheio tem aos cachos por ai.

 

Nunca faltam críticas para quem decide empreender. Ao sonhar em conquistar aquela terra e poder ter um futuro próspero, numa terra tão fértil, Calebe sem dúvida atraiu muita incredulidade dos que só conseguiam ver ali uma terra de gigantes. Algumas vezes os empreendedores também são assombrados por gigantes: impostos gigantes, investimentos gigantes e barreiras burocráticas gigantes.  Mas o importante é não deixar o medo paralisar você. Provavelmente Calebe teve medo, mas não deixou que isso o dominasse.

 

Assim como Calebe é preciso reconhecer as oportunidades e não desistir do sonho. Calebe levou 45 anos para entrar na terra de Canaã, isso que é perseverança. E para um empreendedor perseverança é ingrediente essencial na receita do sucesso. O tempo tentará roubar sua disposição para seguir em frente com seu empreendimento e se você não estiver convicto de que esse é o melhor caminho.

 

Depois de entrar em Canaã, Calebe agradeceu a Deus. Ops! Então aqui vai mais uma dica bacana, gratidão. Gratidão faz a roda da abundância girar sempre, então seja grato pelo que você já conquistou até agora, cada passo para um empreendedor é um passo rumo à um empreendimento sólido e rentável. Muitas vezes por não celebrar as pequenas conquistas os novos empreendedores se sentem tragados pelos desafios. E se você já chegou lá, celebre mais ainda.  Isso não significa que agora você já pode parar, mas que a primeira etapa já foi concluída.

 

Seja um conquistador e realize seus sonhos.



[1] Caleb ou Calebe, filho de Jefoné, foi um dos doze espiões enviados à terra de Canaã. Dos doze, apenas ele e Josué voltaram com boas notícias acerca do país que iam habitar; esse seu otimismo desagradou tanto ao povo israelita que por pouco Calebe não foi apedrejado.

Renata Valéria Lopes

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