O tema é sério e cada dia mais comentado, por isso precisamos falar das implicações da diversidade. Sim queremos nas empresas uma maior gama de diversidade. As empresas com equipes globais já falam disso há muito tempo, pois compreenderam que um grupo de profissionais diversificado se complementam em suas habilidades técnicas.

A minha verdade se soma a verdade do outro, a experiência, a cultura, os gostos e costumes, criando uma abordagem inovadora para a solução de problemas. A originalidade e a criatividade cresce a medida que a diversidade é abraçada e implantada na sua integralidade.

Nas empresas nacionais é preciso ampliar a contratação de negros e mulheres. Não apenas incluindo nas entrevistas, mas efetivando com o mesmo salário dos brancos e dos homens. Sou mulher e branca, tive o privilégio da cor. Mas por ser mulher, já tive de ouvir algumas piadinhas durante toda a minha trajetória profissional.

Me fiz de surda e segui em frente, pois não valia a pena bater de frente com a alma pequena. Mas minha família tem membros descendentes de escravos e por isso alguns possuem pele negra. Na nossa família isso nunca foi tabu, sempre fomos uma mistura de diferentes tons de pele, religião, formação e gênero.

A diversidade da família me fez sempre ver diferentes culturas, entender as religiões, me permitiu respeitar a qualquer pessoa independente de crenças, opções e escolhas. Lógico que isso traz conflitos de opiniões e ideologias, mas também proporciona um crescimento impar como ser humano.

Se numa família tem conflito, imagine numa empresa com pessoas de diferentes famílias. Agora soma a essa equipe pessoas de outras regiões e de outros países. Os conflitos vão surgir sim e talvez se aflorem devido a ampliação dos mal entendidos de comunicação. Uns mais calorosos, outros retraídos e por ai vai.

Um gestor que promova a diversidade tem que ampliar sua abordagem multidisciplinar. A conscientização sobre diversidade deve acontecer de forma séria e todos da equipe precisam apreciar a riqueza dessa mistura cultural. Ela não é fácil eu sei, mas deve acontecer.

Os membros da organização precisam explorar seus sentimentos quanto a diversidade. Ter negros, mulheres, transgêneros etc pode levantar barreiras pessoais à aceitação desses novos membros a equipe sim. Não vamos varrer para debaixo do tapete, é necessário entender como tais barreiras se formaram e tratar.

Em duas empresa que atuei existiam grupos de trabalho para ampliar a conscientização na contratação e inclusão da diversidade. Hoje todos falam em contratar pessoas com deficiência, mas quantas vezes na hora de contratar o gestor associa a deficiência a falta de capacidade de entrega?

Associam a deficiência a defeito, negros a trabalho braçal, transgênero a transgressão. Isso precisa mudar e a comunicação sobre diferentes tipos de diversidade implantada de forma formal e informal.

Quanto mais diversificado o grupo, maior a probabilidade de se contratar mais indivíduos com diferentes normas culturais, expectativas, crenças, padrões de excelência e hábitos de higiene/ vestuário, que influenciam a maneira como os membros interagem e contribuem para o objetivo geral da empresa.

Como um requisito importante para bons negócios é a construção de relacionamentos, é importante criar confiança e ampliar vínculos para energizar o processo. Dai temos um papel fundamental, como gestores de equipes, se colocando a disposição para:

  • ajustar nossa agenda para atender uma pessoa de outra nacionalidade;
  • redefinir o dia de uma tarefa para quem precisa por questão religiosa da sexta a tarde ou do sábado livre;
  • adotar o nome social ao invés do de nascimento para um transgênero;
  • promover um negro pelo seu conhecimento técnico e competência;
  • contratar uma mulher para uma equipe onde só tenham homens

E antes de mais nada entender que diversidade é formada com cada ser humano independente de raça, cor, religião, classe social, gênero ou qualquer outra classificação que possa vir a ser criada tendo sua opinião, direitos e valores respeitados pelos demais.

Com tanta empresa falando em disrupção tecnológica e inovação, quero deixar o desafio para que você que leu meu post, se torne disruptivo e abrace a diversidade em sua empresa.

Depois me conta como foi?


Renata V. Lopes

Atua há mais de 25 anos na área de Tecnologia da Informação com gerenciamento de projetos e equipes multidisciplinares, em grandes empresas como Grupo Gerdau, Lojas Renner, Hewlett-Packard, Rio2016 e Grupo Guanabara. Master coach, leitora compulsiva, blogueira, apaixonada por redes sociais e estudante em constante desenvolvimento, acredita na cooperação, colaboração e compartilhamento do conhecimento como forma de aprendizado.

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