Nos últimos anos muito se ouviu falar de modelos, novas formas de liderança, e exemplos de Grandes Líderes, mas o que temos visto é o pensamento e a prática de modelos só do século passado. Mesmo com todas essas informações encontramos nos dias de hoje organizações onde ainda são utilizados modelos baseados nas leis de causa e efeito e nas proposições de dividir em partes para entender o todo.

A ciência moderna trata os fatos como se fossem mais uma rede de relacionamentos do que apenas fenômenos isolados. O acontecimento de uma infecção numa pequena cidade do México, em abril do ano passado, criou uma crise de saúde mundial.

A organização ainda é a mesma da hierarquia do exercito prussiano ou da Igreja, em forma de pirâmide, totalmente hierarquizada, com pessoas alocadas em “caixinhas”, fragmentadas por especialidades e que, muitas vezes, uma não sabe o que a outra faz (quando não competem ou sonegam informação entre elas). Se não tiver um líder para dizer o que fazer será o caos, nada acontecerá. Olhando a Administração Pública vemos então mais forte esta presença burocrática e de constantes mudanças ocasionadas por troca de poder após pleitos eleitorais

PRESSUPOSTOS PERIGOSOS

Com base no que mencionamos anteriormente, é importante considerar alguns pressupostos que balizam o comportamento de algumas lideranças:

  • Acreditam que as pessoas querem e precisam ser controladas. Precisam de um líder que decida o que elas devem fazer (e realmente muitos agem assim).
  • Acreditam que as coisas só acontecerão se tiver uma liderança forte para dar foco e direção, que desenham as organizações, que dizem quais as funções que as pessoas devem exercer e que precisam ser supervisionadas (até mesmo controlando o ponto!). Caso contrário nada se produz.
  • Para obter a adesão delas aos nossos planos é preciso recompensá-las, pois só atuam se receberem prêmios. E prêmios em dinheiro que é a única coisa que as motiva. Como não há esta opção da administração pública ficam sem imaginação para motivar as pessoas.
  • Outra “certeza” é que se dermos liberdade aos colaboradores eles não usarão em favor da organização e sim para fazer nada. Deixarão o “paletó na cadeira” esperando chegar a aposentadoria.
  • Não entendem porque não se comprometem com a organização, não vestem a camisa nem dão o sangue por ela, e se alguém pagar um pouco mais ou surgir um concurso mais com rendimento maior, nos deixam sem consideração alguma. Usam a instituição apenas para estudar…

Apesar de muitas organizações ainda acreditarem nestas “verdades, muitas outras organizações estão percebendo mudanças nos comportamentos e utilizando nova forma de ação, obtendo melhores e mais duradouros resultados, maior participação de seus colaboradores e maior retenção de talentos humanos”.

  • Percebem que se as pessoas se orgulham do que fazem e se tiverem acesso livre às informações e liberdade para criar, vão surpreender com resultados excepcionais. Ninguém gosta de fazer alguma coisa mal feita, ninguém erra por gosto.
  • A maior recompensa para estas pessoas elas é serem reconhecidas pelas suas lideranças e poderem participar das decisões. Os Professores Doutores e os PhDeuses não respeitam os colegas de trabalho.
  • Elas têm a tendência natural de se auto-organizarem em torno de uma identidade, de um significado maior que não seja apenas enriquecer rapidamente ou esperar aposentadoria.
  • Elas se agregam em torno de valores que foram desenvolvidas de forma participativa e não valores retirados de programas acadêmicos de um recente mestrado em motivação. A maioria se organiza para trazer melhorias para o mundo.
  • Estas organizações praticam o exercício da descentralização da autoridade sem perder autoridade.

Surpresa! Elas existem é qual é o segredo delas? Uma sequência simples de ações que motiva seus colaboradores e leva a obtenção de resultados incomuns trabalhando com pessoas comuns.

AÇÕES

· Propósito

O ponto de partida é definir para que ela existe, qual é o propósito dela. As pessoas buscam sentido para suas vidas. As organizações também, já que são formadas por pessoas e não somente por máquinas e edificações. Conectar com um propósito comum acessa uma enorme reserva de criatividade, de energia, de comprometimento, que leva a uma contribuição espontânea. Pensam: como o mundo será melhor por nós trabalharmos juntos? Sabem que todas as organizações são públicas, diferenciando umas das outras em função da distribuição dos resultados.

· Princípios

Uma organização transformadora define seus princípios, seus valores fundamentais, valores que presidem suas decisões e seus relacionamentos, internos e externos. O que não abrimos mão para manter nossa dignidade e respeito.

· Colaboradores

Ela permite aos seus colaboradores acesso a todas as áreas da organização, aos recursos necessários, e às informações que circulam livremente. Trata informação como alimento que nutre a todos e não como dinheiro que estocamos em nossa área. Não se fragmentam em “caixinhas”, mantém uma unidade de propósito sabendo cada um qual sua contribuição para o todo maior.

· Aprendizado

Estimulam seus colaboradores para ousarem nas suas atividades sem medo de errar e quando acontece um erro, normalmente por nunca terem se defrontado com situação semelhante, tratam como aprendizado e divulgam a informação para que a situação não se repita.

· Ações práticas

As práticas emergem das ações onde, tendo os princípios definidos e sabendo O QUE fazer, cada um sabe com sua experiência sabe COMO fazer. Um operador de campo numa refinaria sabendo do principio de considerar “a vida em primeiro lugar” não hesitará em fechar uma válvula com problemas, sem precisar pedir “autorização” ao supervisor, que pedirá ao gerente, etc.

· Governança

Com este espírito a governança é feita de forma natural. As pessoas ocupam cargo na hierarquia não por importância, mas por habilidade de tratar com coisas mais complexas e saber tomar decisões, mesmo com pouca informação.

Você que quer ter RESULTADOS crescentes e duradouros, trabalhando com pessoas comuns e obter resultados incomuns? Você está se preparando para este novo mundo? Lembre-se sempre de que o conhecimento pouco vale se não for “digerido” e, realmente, transformado em ações concretas.

José Augusto Neves,
Consultor Sênior do MVC
C
ertificado pelo PMI (USA)


Renata V. Lopes

Atua há mais de 25 anos na área de Tecnologia da Informação com gerenciamento de projetos e equipes multidisciplinares, em grandes empresas como Grupo Gerdau, Lojas Renner, Hewlett-Packard, Rio2016 e Grupo Guanabara. Master coach, leitora compulsiva, blogueira, apaixonada por redes sociais e estudante em constante desenvolvimento, acredita na cooperação, colaboração e compartilhamento do conhecimento como forma de aprendizado.

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