Conhece-te a ti mesmo é uma proposta que, há milênios, vem sendo apresentada ao homem. Os sábios orientais, os gregos, os grandes filósofos, todos comprovaram de diversas formas a importância do autoconhecimento. Mas o que isso tem a ver com as empresas?

O sentimento colocado no trabalho gera forças que impregnam equipes e este suplemento energético estimula a crença no trabalho realizado e esta crença é irradiada para o mercado. Será que ainda existem dúvidas sobre isso? As emoções equilibradas à luz da razão têm um poder decisivo sobre nossas vidas, isso será o diferencial que contribuirá para que nossas trajetórias sejam bem-sucedidas ou fracassadas, esta foi a conclusão de Goleman acerca do grande dilema razão x emoção.

Se olharmos de perto, perceberemos que nós mesmos, em vista de uma série de condicionamentos culturais cujos princípios herdamos sem uma reflexão mais cuidadosa, adquirimos a tendência de considerar inteligentes aqueles que possuem certas habilidades técnicas e operacionais, cuja ênfase em casos de indivíduos isolados é dada em função do grau em que esta mesma inteligência é exercida pelo agente que a possui, até o limite em que empregamos a designação de “gênio empresarial”.

E, no mesmo passo, o fazemos principalmente com referência a operações que envolvem cálculo. E é também neste sentido (no de cálculo) que empregamos o termo “razão” ou “racionalidade“. É com base nestas noções que eram feitos os testes de aptidão intelectiva (Q.I.). Quem neste sentido não possui “inteligência” sofre uma espécie de exclusão por parte do sistema e, no máximo (e a menos que seja forte para provar o contrário), é “convencido” de que deverá seguir um caminho medíocre, ou seja, mediano, normal, não-extraordinário.

Do outro lado, no extremo oposto, colocamos “a sensibilidade”, “o emocional”, “o sentimental”, “o espiritual”. Criou-se, então, ao longo dos anos (ou mesmo séculos) a crença na famosa oposição Razão x Paixão. A primeira, prioridade principalmente dos “gênios do cálculo”, a segunda, dos “sentimentais” ou “emotivos” ou talvez “românticos”, mas, em todo caso, não-racionais, como se seu caráter apresentasse traços opostos à racionalidade. A conseqüência direta deste pensamento é uma visão fatalista sobre os potenciais do indivíduo, como se pudesse haver um controle definitivo sobre suas possibilidades de realizações.

Para nós, não psicólogos mas seres viventes, como justificar o fato de que algumas das pessoas bem-sucedidas em testes de QI sejam mal-sucedidas em suas vidas profissionais ou emocionais? E que de outra parte, alguns “medíocres” empreendam carreiras brilhantes em diversas áreas? Estes fatos deveriam ser relegados à sorte como inevitáveis exceções ao que, em geral, se observa? Diversas fontes de pesquisa afirmam que as exceções atingem números nada desprezíveis. Se para nós a tese tradicional não soa bem em momentos decisivos de nossas vidas, quando nossas escolhas são feitas tentando evitar conseqüências desastrosas ao longo da vida, saber que há exceções não basta, pois a ciência está sempre pronta para bloquear possibilidades de mudar este quadro.

E, assim, este grande número de exceções desencadeou todo um processo de investigações acerca de nossa estrutura cerebral. Passou-se a ensaiar a admissão de nossa inteligência, não como uma fria capacidade operacional e calculativa, mas como um todo que, para seu sucesso ou fracasso, necessita, na medida do possível, de um perfeito equilíbrio entre as suas partes.

De acordo com este pensamento, podemos acreditar que se fosse possível, as empresas contratariam apenas os cérebros de seus funcionários, mas qual seria o resultado disso?

Entre os antigos gregos, o processo educativo já se manifestava ao se procurar um nome para o indivíduo recém-chegado ao mundo. Aguardava-se os primeiros passos de seu desenvolvimento e a manifestação embrionária de um determinado caráter ou dom para, somente então, nomeá-lo. A partir daí toda sua educação voltava-se para um reforço deste caráter, proporcionando-se com isto o seu desenvolvimento natural e espontâneo.

O resultado foi uma sociedade de homens inteiros, de caráter e personalidade fortes, cientes de seu perfil, orgulhosos de suas leis e de seus líderes e administradores, de sua arte e de seus guerreiros, de uma nobreza quase incompreensível para nós que somos herdeiros bastardos de uma cultura, no passado, vigorosa.

Nunca na história ocidental os potenciais humanos foram tão exaltados, a ponto de serem quase divinizados. O homem poderia ser qualquer coisa e nela era grande, possuía grandeza de sentimentos. Não é talvez por acaso que Aristóteles tenha posto, e ele o fez, no coração o centro vital da inteligência humana, o que certamente é um erro do ponto de vista científico, mas um grande acerto em termos intuitivos.

Para nós, filhos do sistema ocidental tradicional, a admissão e a consciência da reviravolta são mais dificultosas, pois já estamos com ele mais emocionalmente envolvidos ou nele perdidos. Trata-se, no nosso caso, de uma reeducação de nós mesmos e, por conseguinte, de uma nova visão de nossos próprios potenciais, removendo os obstáculos que nos atrelam a um desequilíbrio racional ou emocional.

A partir do autoconhecimento, abre-se caminho para uma administração mais completa, integral, e as empresas não precisarão desenvolver-se de forma tão desordenada, desequilibrada. Por outro lado, nas situações onde exercemos um papel de liderança em uma empresa este conhecimento nos torna, no mínimo, mais sensíveis à variedade de personalidades das pessoas, o que nos torna mais aptos a exercer nossos papeis.

Não há como negar que como administradores temos fatalmente de exercer um poder educativo sobre aqueles que lideramos. Ora, qualquer falta de tato educativo neste caso implicará diretamente em falha administrativa e, no mesmo passo, uma visão unilateral implicará numa liderança unilateral e pouco eficiente. Se observarmos o que hoje ocorre no mundo, tomaremos consciência imediata do que acabamos de afirmar.

A chamada visão holística toma espaço cada vez maior na mentalidade contemporânea, de acordo, evidentemente, com uma visão mais humanista. A aversão ao que se chama de “trabalho”, pouco admitida verbalmente, mas, de fato, uma certeza furiosa na mente e nas atitudes dos homens, provém de um mau juízo acerca deste conceito. Deveria ser o que mais realiza, pois não há “o homem” sem as realizações que provém de suas aptidões, as quais o fazem ser homem, e isto se dá justamente na diversidade dos ofícios.

O que ocorre hoje, pelo contrário, é que o homem tem como seu maior inimigo justamente aquilo que deveria ser o seu ponto de ascensão: trabalho, educação versus escravidão, opressão. Mas a visão holística propõe justamente o olhar global, que considera sempre o conjunto das coisas. Em lugar do especialista “especialistíssimo”, temos o homem formado bem informado, quero dizer, formado, não castrado, como algumas espécies de animais domésticos, por exemplo, belíssimos e de pelos macios, mas sem valor para a perpetuação de sua espécie. A visão humanista reforça, em face da mesma holística, a visualização das diversas aptidões humanas.

O que ocorre com um homem ou com uma empresa que se negligencia? As respostas são basicamente duas: tornam-se “frios e calculistas” ou propensos à tirania das emoções e tanto num caso como no outro, os resultados refletirão negativamente nos lucros, no mercado de trabalho, na empresa, na visão do que é trabalho, na vida pessoal e em todos os papéis da vida. Homens frios e calculistas certamente terão pouca vitalidade e serão quase certamente ineptos para questões humanas de maior alcance; quanto aos que se submeterem às tiranias das emoções, serão temas de tratados sobre o desequilíbrio e saberão poucas vezes dar por si em sua jornada de vida a não ser que haja um profundo esforço que os conduza ao equilíbrio, o mesmo valendo para os frios e calculistas.

O que ocorre com uma empresa que possua em seu seio indivíduos desta natureza? Deverá manifestar em seu todo as características de suas partes, e isto se refletirá em todos os seus setores. Relacionando esta situação aos termos técnicos acerca do cérebro, o sistema límbico estará em conflito com o neocórtex, traduzindo, produzirá o velho conflito razão x paixão. Ao invés destes sistemas atuarem como partes de um todo, atuarão como faculdades independentes.

Conforme ocorre num sistema cerebral bem educado, onde a razão não apenas se funde com a emoção, mas a põe em seu lugar, dar-se-á exatamente o contrário num sistema pouco treinado. O resultado será uma empresa desequilibrada em seu todo, com baixa autoestima e pouca consciência de si, com um sistema de motivação falho, com baixo valor moral, consequentemente apresentará resultados negativos que será refletido nos seus funcionários e no mercado em forma de desequilíbrio, estresse mal administrado, problemas psicossomáticos ou crônicos, etc.

Uma liderança assim exercida tenderá à unilateralidade. O que afirmamos aqui não são meras especulações. Basta, para nos certificarmos disso, que lancemos um olhar para as pesquisas e estudos mais profundos e acontecimentos que vêm ocorrendo no mundo.

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Monica Patrocelli

Atua há mais de 23 anos em Gestão de Mudanças Organizacionais, Gerenciamento de Projetos de ERP, Processos e Qualidade pela Price Waterhouse Coopers, IBM, Neoris e Indra na América do Sul e Índia. Sócia Fundadora da Darshans Consultoria há 17 anos, apoia mudanças organizacionais e pessoais, utilizando ferramentas e técnicas para quebra de paradigmas, de resistências e superação de obstáculos, visando garantir a velocidade de aderência de líderes e equipes às mudanças. Tem também experiência em Técnicas de Meditação, respiração e yogaterapia, utilizando-as em alguns de seus projetos, obtendo resultados efetivos.

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